[vc_row type=”vc_default” full_width=”stretch_row” full_height=”yes” equal_height=”yes” parallax=”content-moving” parallax_speed_bg=”3″][vc_column][vc_single_image image=”4154″ img_size=”full”][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]Ela fez o Brasil tombar aos seus pés entoando versos contra o machismo e o preconceito racial envoltos por uma atmosfera pop. Sua arte política surge naturalmente, do cotidiano e das revoltas que ela deseja gritar para o mundo. Se for no improviso, na volta de um break, melhor ainda. Karol Conka conta aqui o que, afinal, a motiva a criar.
O que te inspira?
O meu cotidiano. A minha inspiração sempre vem das coisas que eu vivo e daquilo que me desperta uma emoção, uma revolta, uma vontade de gritar pro mundo alguma coisa. Com “Tombei”, por exemplo, eu queria falar de um assunto sério, mas de uma maneira tranquila. De um jeito que machistas e racistas pudessem cantar sem perceber a mensagem que estavam passando. Muitas pessoas me escreveram para agradecer dizendo que eu as ajudei a lidar com o racismo.
Como foi o processo para encontrar a sua linguagem?
Quando eu era adolescente, brigava com a minha mãe, e a única maneira de me comunicar com ela era por cartas. Eu era dramática. Escrevia poemas e tal (risos). Acho que a minha vida inteira eu soube que a minha função era escrever para as pessoas. Ao mesmo tempo eu gostava muito de música. Ligava a TV e ficava assistindo a clipes na MTV. Ficava acordada até de madrugada. Tudo que achava gostoso guardava num potinho dentro de mim. Gostava muito do mundo pop. Destiny’s Child, Beyoncé… O rap veio depois. Com o tempo, dei um jeito de juntar os dois.
Você apresenta o “Superbonita”, que está fazendo tanto sucesso que houve renovação de contrato. Como é  trabalhar a criatividade na TV? Ou  as coisas vêm mais prontas?
Nããão. Quando assumi o programa, falei para mim mesma: “Não entre numa caixa quadrada”. E tive total liberdade e um superespaco para colocar meu toque em tudo. Não uso TP [teleprompter] ou ponto porque gosto da espontaneidade. É mais fácil de fazer  e fica mais convincente e verdadeiro.  O programa foi todo baseado no meu estilo e no meu mundo. Nessa nova temporada, por exemplo, na volta do break eu apareço recitando um poema de frente para o espelho. É um texto feito na hora em cima de um tema. É uma habilidade de quem é do rap, que lida com situações de improviso.
E não dá um branco? Ou aquela preguiça tipo “por que raios inventei isso”?
Não, pelo contrário. Sinto uma sensação de alívio quando termino de escrever o poema. Como se precisasse tirar algo de mim.
Você tem rituais para criar?
Não só para produzir, mas para a vida. Há uns cinco anos, durante 30 minutos, eu medito ou faço uma oração focando pensamentos bons para as pessoas que estão ao meu redor. Às vezes não dá tempo. Mas faço isso pelo menos três vezes na semana. Senão me sinto meio culpada até. E também proíbo todo mundo de falar coisas negativas (risos). Não pode. É a lei da atração. Eu falo que muito da minha carreira deu certo por conta da meditação.
Você é uma mulher negra que conquistou espaço no rap, um ambiente declaradamente machista. Sente que a sua arte precisa ser política?
Eu me vejo como uma pessoa com o dom da fala e da escrita. Tenho que usar isso para o bem. Isso vem naturalmente  para mim, mas tenho consciência de que é necessário abordar assuntos sérios. Não falo muito de amor, mas de superação. Falo para quem quer deixar a autoestima lá em cima. Escrevo coisas para abrir a mente das pessoas.
Você é uma das headliners do MECAInhotim. O que vai tocar?
Estou fazendo um disco novo que vai ser lançado depois do festival, mas vou aproveitar para cantar uma música nova, “Lala”. É o termo que inventei para falar do sexo oral feminino, já que não existe um. Quando escrevi, estava pensando em como tem uns homens falhando na prática. Foi uma maneira mais poética que encontrei para dizer que eles precisam olhar pra isso e melhorar um pouquinho (risos)[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]