[vc_row type=”vc_default” full_width=”stretch_row” full_height=”yes” equal_height=”yes” parallax=”content-moving” parallax_speed_bg=”3″][vc_column][vc_single_image image=”4872″ img_size=”full” alignment=”center”][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]Foto: Rafael Morse

Um boxeador invisível que nocauteia o adversário (este visível) que parece lutar com o ar. O integrante de uma boy band sem rosto, cantando em um microfone… mas o som que sai são apenas gemidos retirados de uma entrevista de Marilyn Monroe de onde foram retiradas as palavras. Essas são algumas das obras que o artista americano Paul Pfeiffer projeto para o público do MECAInhotim durante o talk que protagonizou no fim da tarde de sábado. Videoartista, ele costuma buscar na cultura pop e nas imagens midiáticas a matéria-prima de sua arte.

Em entrevista exclusiva, ele explicou o que significa esse “apagamento” de personagens midiáticas que ele realiza em suas intervenções audiovisuais e falou sobre a eleição de Donald Trump nos EUA.

Qual é o simbolismo de apagar o protagonista de um vídeo como, por exemplo, um atleta, que, em nossa cultura, é tratado como uma grande estrela?
É isto: o protagonista! Ao meu ver, o protagonista é a razão pela qual as coisas são feitas de uma certa maneira. Retirá-lo de um vídeo é como criar uma espécie de vazio e, quando você tem que lidar com o vazio, sua mente acaba pensando além do óbvio ou, então, até mesmo entra em curto-circuito.

O vazio te faz prestar atenção em outros aspectos do vídeo que não sejam o protagonista?
Sim, mas, de algum modo, nem todos os aspectos são democráticos. Existe um aspecto principal e, quando você o apaga, você cria uma espécie de vácuo. Interesso-me pelo o que acontece psicologicamente quando você remove o personagem principal. É como se esse protagonista fosse o ego do espectador; o que acontece com o ego, quando você remove seu reflexo da imagem, é que você enfoca no vazio.

Sua percepção da mídia mudou de algum modo após a eleição de Donald Trump?
Não acho que seja acidental que Donald Trump seja um produtor de reality shows. É impressionante pensar que suas técnicas como político vieram dos reality shows. E acho que isso é muito significativo. Associo esse tipo de programa à improvisação, algo que é metade roteirizado e metade intuitivo. Isso é algo novo para o pensamento crítico ocidental, para a filosofia… é algo inédito, exceto para o humor, para piadas. Sigmund Freud escreveu sobre a estrutura das piadas, algo que tem muito a ver com timing, com um tipo de performance improvisada.

E como isso reverbera na população americana?
É um cenário muito polarizado: metade da população o ama, outra metade o odeia. Mas acho que, amando-o ou odiando-o, todos estão fascinados por ele. Mesmo os que o odeiam estão enfeitiçados. De algum jeito, é como magia: eles não conseguem evitar, não conseguem parar de falar dele. Ao meu ver, isto é um tipo de performance bastante eficiente. Na luta-livre profissional, um dos papéis principais é ser a pessoa que todos odeiam – isso é um tipo de performance. Ele está usando a performance para criar esse tipo de ódio, o que também é um tipo de atração.

Você acha sintomático que o país que praticamente inventou a mídia de massas – ou, ao menos, o modo como a conhecemos hoje – seja o mesmo país que tenha uma estrela de reality show como presidente?
Sim, mas, no Brasil, vocês têm um bispo da Igreja Universal como prefeito do Rio de Janeiro. Acho que os EUA talvez sejam o marco zero deste fenômeno, mas penso que, a esta altura, para o melhor ou pior, trata-se de um fenômeno global.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]